quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A falta da notícia de internacional.


É curioso ver que na TV, rádio, mídia impressa e em menor escala até na internet, a falta das notícias internacionais. Na verdade, não é nem "falta" mas sim um menor destaque se formos comparar veículos da imprensa norte-americana e européia. Essa falta não quer dizer que o que temos hoje em dia seja de má qualidade, pelo contrário.
Hoje a imprensa brasileira conta com centenas de free lancers e jornalistas contratados espalhados por todos os continentes trabalhando para TV's, rádios, jornais, revistas e sites. Porém, nada se compara à uma BBC que conta com escritórios espalhados por vários países do globo além de manter programas de rádio e sites regionais.
Essa lacuna de notícias internacionais aqui no Brasil até pode ser explicada - um país com dimensões continentais como o nosso e uma população numerosa acaba, inevitavelmente, com o jornalismo focado para dentro. Parece que fica uma coisa do tipo: "Temos notícias suficientes aqui dentro". E é mais ou menos isso. As notícias de internacional no Brasil se restringem à pequenas reportagens na TV (isso quando há algo de extrema importância), alguns textos pela internet, duas ou três páginas nos jornais e na rádio, grande parte do material produzido é feito com a ajuda das agências de notícia. Poucas rádios mantém correspondentes no exterior.
Outro problema que percebo, é a seleção de qual notícia é importante e qual não é. Assunto delicado e complexo esse. Claro que uma coisa é cada empresa ter sua política de abordagem dos assuntos, mas outra é ignorar as notícias. Exemplificando: na época que o ex primeiro-ministro britânico Tony Blair deixou o cargo e seu sucessor, Gordon Brown tomou posse, a imprensa parecia ter esquecido que isso estava acontecendo! Foi de impressionar! Os principais telejornais se resumiram com uma simples matéria noticiando o evento, mas nenhuma análise mais profunda foi feita. Não explicaram nada quais seriam os efeitos práticos daquilo! É no mínimo estranho ignorarem a troca do poder em um dos países mais ricos e poderosos do mundo. Não falaram do perfil de Gordon Brown, o que ele representaria na política internacional, enfim, enfim. Na internet, reportagens até boas, mas que também pecaram na falta de conteúdo explicativo para o público. Fiquei ainda mais surpreso quando vi a revista Veja daquela semana - uma micro nota na seção Datas.
Para fechar os exemplos, um que está acontecendo nesse exato momento que estou escrevendo esse post - o primeiro-ministro italiano Romano Prodi, pediu renúncia de seu cargo depois de ser derrotado no Senado. Nas manchetes do Jornal Nacional, a notícia, que teoricamente é de grande peso porque envolve a renúncia de um chefe de governo de um dos mais importantes países e economias da Europa foi esquecida. No mínimo vão entrar apenas com a correspondente baseada em Roma e falar o que já sabemos.
Na rádio, a notícia saiu apenas nos boletins. Apenas na internet ganhou um destaque maior.
Por mais difícil que possa ser dar o destaque merecido às notícias internacionais, elas não podem ser neglicenciadas, como se não existissem. Essas notícias merecem sim maior destaque pois o que o jornalismo vive hoje em dia é uma fase da convergência de notícias, com os países cada vez mais conectados entre si.

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