sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Um grande Maranhão.





Um artigo de hoje da revista inglesa The Economist chamdo Wolf Pack The survival of patronage politics (Bando de Lobos – a sobrevivência do clientelismo político, em tradução livre) trata de uma prática que por mais antiga e coronelesca, ainda acontece nos bastidores da política. O artigo fala que por mais que "essas dinastias políticas são menos comuns do que já foram no Brasil", a revista fala que "em locais com o Maranhão, os velhos hábitos sobrevivem".
A revista fala é claro, do apadrinhado do senador José Sarney, o novo ministro (sic) de Minas e Energia Edson Lobão.
Um fato desse tem vários aspectos a serem vistos - o primeiro é justamente esse que a revista trata: a prática das "dinastias políticas" de indicarem cargos e mais cargos nos mais diversos âmbitos do governo. O exemplo clássico de hoje, é o poderoso clã dos Sarneys que por mais que tenham perdido um pouco de seu poder, ainda tem força considerável não só no estado deles (Maranhão) como em maior e menor escala em outros estados via seus apadrinhados e até mesmo no 1º escalão do governo federal.
O senador Sarney porém, sabe que tem cafice para tudo isso - além de ser um dos nomes mais poderosos no Norte-Nordeste, o senador ainda é um dos mais influciáveis do Congresso e faz parte de um partido, o PMDB, que é chave para o presidente Lula manter seu governo com estabilidade e relativa calma já que o partido detêm a maior bancada na Câmara dos Deputados e no Senado. O governo de coalisão do presidente Lula depende, e muito do PMDB para dar a governabilidade necessária mas para isso, tem que abrir mãos dos desejos insaciáveis por cargos do PMDB.
Mas essa é uma prática comum desse governo que parece não se importar de fazer qualquer aliança e acordo que seja para que fique sempre por cima. Indicações são mais do que normais no mundo da política, mas o que o governo faz chega a beira do absurdo, do lamentável.
O governo, sabendo do poder de retaliação do PMDB, teve que engolir o senador Lobão goela a baixo sem pestanejar mesmo sabendo que Lobão não tem experiência nenhuma nessa área.
Pior para nós, que inaptos a fazer qualquer
O ministério de Minas e Energia não é um dos ministérios-brinquedo do governo como as inúmeras secretarias especias criadas para acolher outros tantos apadrinhados. O MME é o responsável pelo gerenciamento de toda nossa matriz energética. Energia, não só no Brasil mas no mundo todo, é foco de debates e preocupações pois é o motor para o crescimento. No topo desse ministério, deveria ter um técnico nessa área, capaz de assumir e resolver todos os problemas desse setor.
Lobão nesse ministério é tão patético que a revista inglesa ironiza: "A falta de conhecimento (de Lobão) sobre o assunto não deve ser um problema, já que ele assegurou ao público que já começou a ler a respeito".
E então? Todos se sentem mais tranqüilos agora?

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