quarta-feira, 28 de maio de 2008

Reencarnação - parte I

Não, não é o mais novo título de uma novela do SBT. Tampouco um post sobre uma experiência espírita ou algo de outro mundo. A "reencarnação" a qual me refiro é aquela que os nobres (sic) deputados estão tentando, lá na Casa da Mãe Joana, às vezes lembrada também como Câmara dos Deputados. Os deputados da chamada base aliada, que apoiam o Governo, estão planejando a volta da famigerada CPMF. Claro, com uma nova sigla, muito simpática por sinal e que nos permite no mínimo dois trocadilhos: CSS - Contribuição Social da Saúde. Os deputados da oposição a chamam de Contribuição sem sentido e hoje à tarde, o presidente da FIESP, Paulo Skaf nos brindou com outro significado: Contra o seu salário. Ambos os nomes, corretos digam-se de passagem.
É no mínimo repugnante sequer imaginar a volta de um tributo que foi brilhantemente extinto pelo Senado Federal no final de 2007. A CPMF, criada ainda no governo Fernando Henrique tinha o mote inicial de ser destinada à área da saúde, financiando esse setor extremamente frágil e carente no Brasil. Tudo ficou, claro, apenas na "boa vontade". O dinheiro arrecado não era destinado à saúde mas sim usado para pagamento de juros de dívidas do Governo além de ter sido uma generosa fonte para a "caixinha" do ministério de Guido Mantega, o da Fazenda.
Caso ainda vigorasse esse ano, a CPMF arrecadaria cerca de R$ 40 bi, dinheiro esse que segundo o Governo fará falta. Daí, na mentalidade tacanha do Governo, a necessidade de criação de mais um imposto, que segundo o líder do PT na Câmara, é uma "questão de solidariedade" nossa para com a saúde. Tudo não passa de uma grande mentira, tudo de tamanha sordidez que é chamar o brasileiro de burro. O Governo não precisa do dinheiro que seria arrecadado pela CPMF já que o recolhimento de impostos bate a cada novo cálculo novos e impressionantes recordes. Um país com quase 40% do valor do PIB arrecadados em impostos não precisa de mais um incidindo sobre o brasileiro que comemorou hoje a sua liberdade fiscal, ou seja, a partir da data de hoje, tudo o que ganharmos será destinado ao nosso bolso e não destinado ao Governo. Sim, é isso mesmo - o brasileiro trabalhou quase cinco meses exclusivamente pagando impostos, que digam-se de passagem, não são revertidos para nós. Para ser ainda mais exato, cerca de 1%. Apenas 1% de tudo o que é arrecado em impostos é gasto em investimentos. Os outros 99%, são gastos no pagamento da despendiosa e onerosa máquina pública.
Outro exemplo de que o Governo não precisa desse dinheiro, é que hoje o Ministro da Agricultura anunciou que a União renegociará a dívida dos produtores rurais, um montante avaliado em R$ 75 bi. Quem abre mão de uma quantia dessa, com certeza não precisa dos R$ 10 bi que a CSS pretende arrecadar esse ano.
O Governo Federal possui sim dinheiro suficiente para, se quisesse, reaparelhar e reestruturar toda a área da saúde e cumprir o que estipula no chamado PAC da Saúde em destinar 10% do arrecado pela União para esse setor.
Veremos o desfecho dessa novela, que até o exato minuto que esse blogueiro vos escreve, está se desenrolando num capítulo dentro da Câmara dos Deputados, tendo nós como telespectadores assistindo atônitos a mais uma investida de mexer com nosso dinheiro. Parece história de ficção, mas não é.
Até o capítulo II!
Portanto, não percam na próxima terça o eletrizante 2º capítulo de "Reencarnação"

sexta-feira, 9 de maio de 2008

"And The Winner* is..."

... Barack Obama ladies and gentlemen.
"*Really, we're pretty sure this time" - Sério, nós temos total certeza dessa vez.

Sim, agora realmente é certo. Ao receber minha Time ontem, não pude negar. Barack Obama é com certeza o candidato Democrata à presidência dos Estados Unidos. A outra postulante do partido, a senadora por Nova York Hillary Clinton, que tinha minha total simpatia, foi derrotada por mérito pelo senador de Illinois. No início da campanha, o mundo mas sobretudo os americanos, não tinham dúvida que a escolhida seria a senadora Hillary, por motivos (que eram) óbvios: era mais preparada por já ter uma longa carreira na política, foi primeira-dama por oito anos e por isso conheceu de camarote os bastidores da vida na Avenida Pensilvânia e teria como supporter um dos mais carismáticos e populares presidentes que os Estados Unidos já tiveram - Willian Clinton. Sim, acreditem, Bill é apelido para Willian. Tudo isso, criava um ambiente altamente favorável para a senadora. Ela não sabia porém, que o oba-oba iria se dissipar de alguém vindo do Oeste.
O senador Barack Obama, por outro lado, entrou na campanha desacreditado: estava no seu primeiro mandato político e... sim, só isso mesmo. O currículo do senador conta somente com isso mesmo: senador por Illinois. A campanha dele porém, foi tomando forma com o passar do meses e cada vez mais ganhando a simpatia dos americanos. Dono de uma retórica invejável e inegável, Obama conseguiu cativar em seu discurso os americanos que estavam desacreditados com o governo de George Bush e na ânsia pelo novo, alguém que pudesse dar cara nova à política, uma vez que, concordo, a senadora é figurinha carimbada na política.
Os Estados Unidos são um país profundamente marcado por divisões raciais, onde os estados do sul são tradicionalmente de população negra e os estados do norte com população majoritariamente branca. Os estados do norte, são conhecidos pela população com alto grau de instrução e também por ser sede das grandes indústrias e principais empresas norte-americanas enquanto os estados do sul sofrem pelo alto grau de desemprego e descaso dos últimos governos federais. Tudo isso fruto da Guerra de Secessão, que criou profundas marcas no que é o ser "eu-norte-americano".
Dado esse panorama, o senador (embora não seja de um estado so sul), conseguiu em seu discurso unir os abastados do norte e os de sua mesma cor (por favor, não leiam isso como um preconceito meu, mas apenas como se realmente dão as coisas por lá), ansiosos por um presidente capaz de diminuir as diferenças.
A senadora Hillary, por outro lado, teve a seu favor, as mulheres, os imigrantes (principalmente os latinos) e os mais velhos, que vêem Obama com certa desconfiança. Com maior popularidade nos grandes estados, a senadora venceu as prévias democratas em todos eles, enquanto Obama venceu em estados menores porém em número bem maior que a senadora.
O tempo foi passando, o candidato Republicano lançado e a indefinição dos Democratas persistiu por vários meses. Nesse meio tempo, vários debates na televisão, comícios em diversas cidades e uma campanha disputadissíma. Porém, o resultado agora é evidente: depois das prévias da Carolina do Norte e Indiana, é irreversível a derrota de Hillary. Embora a senadora dizer que não irá desistir até a última prévia, o resultado que ela teria de ter nas seis últimas prévias são impossíveis de serem alcançadas. Porém, algo é inegável: o vigor de Hillary, que parece não se abater jamais embora tenha passado por inúmeros altos e baixos na campanha.
Escolhido o candidato Democrata, uma outra batalha e essa do âmbito de todos os eleitores deve ser travada: o tabu. E o pior que pode existir: o do preconceito. Obama terá que conquistar agora muitos que o vêem com extrema desconfiança, não só por ser inexperiente mas também por ser negro, conforme mostra algumas pesquisas de opinião. Uma solução que pode ser tomada, e que seria bastante interessante seria colocar a senadora Hillary como vice na chapa de Obama. Restaria saber (apenas) se ela aceitaria ficar em segundo plano. Essa sim seria uma ótima solução, não só para os Democratas mas também para toda a população americana, que caso aprovasse essa chapa, estaria quebrando dois gigantescos tabus: um homem negro na presidência da maior nação do planeta e como vice, não um magnata, mas sim uma mulher.
Claro que para isso acontecer, Obama e Clinton teriam de acertar os ponteiros, mas isso é altamente cabível de se acontecer numa conversa longe das câmeras e microfones.
Se isso realmente acontecer, será bom para os norte-americanos e para o mundo todo, que notam com clareza que esses dois realmente querem passar uma borracha no que os Estados Unidos foram nos últimos oito anos.

Ronaldo.

De toda essa repercussão do caso Ronaldo, uma coisa foi válida: ele salvou Isabella.
Ronaldo, após se aventurar com três travestis atraiu o foco da imprensa para ele nessa última semana o que contribuiu para que o jornalismo carnificina, popularesco e sem índole que estava sendo feito em cima do caso Isabella diminuísse por um instante. Valeu Ronalducho!
Tratando agora especificamente do ex-atleta, uma coisa se tornou clara nessa semana que parece que tomou um desfecho: Ronaldo gastou muito dinheiro nessa brincadeira toda (não a brincadeira no motel), mas o caso como um todo. Nessa semana, as travestis deporam no polícia e segundo elas, "não houve sexo, nem consumo de drogas". Faça-nos rir por favor! Então, na ótica das travestis elas foram ao programa apenas para um descontraído bate-papo com o jogador? Isso é coisa de psicóloga! Se Ronaldo quisesse apenas conversar, ele ligaria para sua mãe e não contrataria travestis para um gostosa (ambíguo isso) conversa em um motel.
Fica claro que Ronaldo foi sim atrás de travestis, muito embora na horrorosa e combinada entrevista, diga-se de passagem que ele concedeu ao Fantástico no último domingo ele negou tudo e repetia exaustivamente que estava arrependido.
Ronaldo, é carioca, conhece sua cidade natal. Sem sombra de dúvidas sabia aonde e como encontrar travestis na madrugada da cidade. Óbvio isso! Todos sabem que travestis têm seu ponto tradicional e prostitutas outro ponto, sem nenhum contato com as travestis. Em todas as cidades do mundo é assim. Em Belo Horizonte, todos sabem aonde ficam as travestis e as prostitutas e ambas por sinal em pontos diferentes da avenida Afonso Pena. Ronaldo, foi diretamente no ponto das primeiras.
Agora, vem a pergunta de sempre: "E eu com isso?" Realmente, ninguém tem nada a ver com toda essa história, mas há uma ressalva. Se Ronaldo, tivesse (sabiamente?) contratado travestis para irem à sua casa, ou à qualquer outro lugar, no mais absoluto sigilo, sem problema algum. O que aconteceu porém, é que o fato se tornou público o que não teria problema nenhum porque o que aconteceu com Ronaldo acontece diariamente com outros tantos por aí. Porém, para a infelicidade do jogador, o fato se tornou público e com uma figura pública. E essa figura, é um dos chavões da cultura brasileira - jogador de futebol, humilde, que com muito esforço enriqueceu-se e foi para o exterior. Ou seja, exemplo para muitos garotos espalhados não só pelo Brasil mas no exterior também, visto que a notícia teve uma gigantesca repercussão no exterior principalmente na Europa. E para completar a dose de importância da imagem de Ronaldo, o jogador é embaixador, não da Unicef, que até divulgou nota esclarecendo que o jogador não faz parte do rol de embaixadores da entidade, mas sim embaixador da boa-vontade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Não que isso amenize o impacto do jogador: desenvolvimento e crianças, no mundo de hoje, estão extremamente ligadas.
Golaço contra Ronaldo.